Por Samella Velez
As casas de taipa, tradicionais construções feitas com barro, água, galhos e palha, fazem parte da história e da identidade cultural do Nordeste. Utilizada no Brasil desde o período colonial, a técnica teve origem africana, passou pela Europa e se espalhou pelo território brasileiro, sendo empregada tanto em antigas casas de engenho quanto em moradias populares. Com o avanço dos modelos construtivos modernos, essas edificações se tornaram cada vez mais raras, especialmente nos centros urbanos.

É nesse contexto que se destaca o trabalho da artesã Sthefany Carneiro, que há pouco mais de um ano transformou em profissão a produção de miniaturas de casas de taipa. Inspirada na arquitetura vernacular nordestina, ela recria, em pequena escala, elementos que marcaram gerações e que hoje correm risco de desaparecer.
Tradicionalmente, as casas de taipa eram erguidas em mutirões, em um processo coletivo que envolvia etapas como o envarado, o barreiro e o tapamento. O trabalho era acompanhado por cantigas, brincadeiras e partilha de alimentos, reforçando laços comunitários e valores culturais.

As miniaturas produzidas por Sthefany já chegaram a outros países, mas, segundo a artesã, o principal objetivo do trabalho é preservar a memória e valorizar uma técnica construtiva, muitas vezes associada apenas à precariedade.
“A taipa carrega conhecimento, história e identidade”, resume.
Além das peças artesanais, há também um vídeo que mostra o as miniaturas e o olhar da artesã sobre a importância das casas de taipa, disponível nesta matéria.






