Por Samella Velez
Localizada às margens da Lagoa Mundaú, em Alagoas, a cidade de Coqueiro Seco preserva uma trajetória marcada por referências geográficas e uma forte identidade popular que resistiu ao tempo e às tentativas de mudanças formais. O surgimento do povoado remonta ao final do século XVIII, quando a fertilidade das terras e a abundância da pesca começaram a atrair os primeiros moradores para a região. O local tornou-se um ponto estratégico para pescadores e viajantes que transitavam pela zona lagunar, consolidando-se gradualmente como um importante entreposto comercial e de moradia para aqueles que buscavam subsistência nas águas e no solo produtivo do interior alagoano.

O nome peculiar do município tem uma origem prática e visual, fundamentada no cotidiano dos primeiros habitantes e navegantes da região. No meio de um vasto coqueiral que dominava a paisagem local, um único exemplar seco da árvore se destacava, servindo como o principal ponto de referência para quem navegava pela lagoa ou caminhava pelas trilhas da época. A expressão usada para marcar encontros e localizar o destino tornou-se tão comum entre os moradores e visitantes que a denominação Coqueiro Seco passou naturalmente de um simples ponto de orientação para o nome oficial do sítio e, posteriormente, do povoado que ali se desenvolvia.
Ao longo da história, houve uma tentativa significativa de alterar a identidade nominal da localidade. Com a chegada de missionários da Ordem dos Franciscanos, que se encantaram com a topografia da região caracterizada por seus relevos e planos elevados, foi sugerido o nome Monte Santo. A nova designação pretendia trazer um ar mais solene e religioso ao lugar, chegando a ser registrada em documentos oficiais. No entanto, a força da tradição oral e o hábito da população prevaleceram. Os moradores não se adaptaram à nova nomenclatura e mantiveram vivo o nome original em seu dia a dia, fazendo com que o termo Monte Santo ficasse restrito aos registros históricos, enquanto Coqueiro Seco se consolidava na identidade cultural do povo.

A importância histórica da região é reforçada por registros de visitas ilustres, como a passagem do Imperador Dom Pedro II entre os anos de 1859 e 1860. Durante sua estadia, o monarca visitou a freguesia e demonstrou especial interesse pela arquitetura local, registrando detalhes da igreja Nossa Senhora Mãe dos Homens situada na parte alta da cidade. O templo, que ainda hoje se destaca na paisagem, é conhecido por suas torres imponentes, o revestimento em azulejos portugueses e um valioso acervo de imagens sacras. Esse reconhecimento imperial sublinhou o valor estratégico e cultural de Coqueiro Seco, que evoluiu de um simples referencial para navegadores a um município de relevância histórica no cenário de Alagoas.







