Por Samella Velez
Um achado inesperado revela como a história, muitas vezes, permanece escondida sob a terra e misturada ao cotidiano. Foi assim com a família de José Luis, que em 1970 comprou uma casa ao lado da Casa de Marechal Deodoro, em uma rua conhecida popularmente como Rua dos Mortos, no município histórico de Marechal Deodoro.
Naquele período, a Casa de Marechal Deodoro apresentava apenas a fachada preservada. Por dentro, havia um amplo quintal com jardim e um chafariz, que atraía as crianças da vizinhança. As filhas de José Luis costumavam brincar no local, sem imaginar que aquele espaço guardava vestígios importantes do passado.

“Na época, a casa só tinha a fachada. Por dentro tinha um jardim e um chafariz, e a gente entrava na fonte para brincar”, relembra Natalícia Alves.
Durante as brincadeiras no quintal, as crianças encontravam pequenos objetos enterrados na terra. Entre eles, botões que pareciam ter pertencido a fardas militares. Sem conhecer o valor histórico daqueles achados, os objetos acabavam sendo descartados.
“A gente achava botões que pareciam de fardas, mas jogava fora porque não sabia que aquilo tinha importância”, conta Natalícia.
A casa comprada por José Luis não possuía banheiro. Como a família era numerosa, ele decidiu construir um novo espaço. Durante a escavação, a enxada atingiu um objeto que produziu um som diferente. Ao se abaixar para verificar, José Luis retirou da terra uma placa, suja e escurecida pelo tempo.

Por ser analfabeto, pediu que as filhas lessem a inscrição. Para surpresa de todos, estava escrito: “Dom Pedro II”. A placa foi limpa pelas meninas e guardada, sem que a família tivesse, naquele momento, a real dimensão do achado.
Com o passar do tempo, José Luis comentou o episódio com alguns conhecidos. Entre eles, um sargento da reserva do Exército, que percebeu o valor histórico da peça. A partir disso, em 1974, foi emitido um recibo declarando que a placa havia sido cedida a um museu no Rio de Janeiro, onde passaria a integrar o acervo da instituição.

A história foi contada ao Contando Alagoas por Mariza e Natalícia Alves, filhas de José Luis, e revela como fragmentos importantes da história brasileira estiveram, por muito tempo, escondidos no chão de um quintal, misturados às lembranças de infância e às brincadeiras de crianças que ainda não sabiam o valor daquilo que encontravam.
Confira essa história:






