Maceió, 16 de abril de 2026

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Guerra do caju, quando o fruto virou disputa

Antes do Brasil ser Brasil, os pés de caju eram tão valiosos que viraram motivo de conflito entre povos indígenas. Na época da safra, tribos do interior desciam para o litoral. Quem controlava o caju, controlava comida, bebida e sobrevivência. Aqui no Nordeste e também em Alagoas, povos como os Caetés usavam o caju para marcar o tempo da vida. Pela floração dos cajueiros, contavam os anos. Uma castanha para cada ano vivido. O caju é brasileiro de raiz. Já existia em Pindorama muito antes dos europeus. E foi do Nordeste que ele ganhou o mundo, levado em navios portugueses no século 16. Em 11 de julho de 1641, durante a ocupação holandesa, o Alto Conselho proibiu o corte de cajueiros. Multa pesada para quem derrubasse uma árvore. O registro dizia que o caju era sustento dos índios. Mas não era empatia. Era interesse. Garantir alimento, controlar território e abastecer tropas.

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