Antes do Brasil ser Brasil, os pés de caju eram tão valiosos que viraram motivo de conflito entre povos indígenas. Na época da safra, tribos do interior desciam para o litoral. Quem controlava o caju, controlava comida, bebida e sobrevivência.
Aqui no Nordeste e também em Alagoas, povos como os Caetés usavam o caju para marcar o tempo da vida. Pela floração dos cajueiros, contavam os anos. Uma castanha para cada ano vivido.
O caju é brasileiro de raiz. Já existia em Pindorama muito antes dos europeus. E foi do Nordeste que ele ganhou o mundo, levado em navios portugueses no século 16.
Em 11 de julho de 1641, durante a ocupação holandesa, o Alto Conselho proibiu o corte de cajueiros. Multa pesada para quem derrubasse uma árvore. O registro dizia que o caju era sustento dos índios. Mas não era empatia. Era interesse. Garantir alimento, controlar território e abastecer tropas.