Maceió, 22 de abril de 2026

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Artesã transforma casas de taipa em miniaturas e ajuda a preservar a memória do Nordeste

Em miniaturas feitas à mão, Sthefany Carneiro recria casas de taipa e lembra que barro, palha e memória também são patrimônio.
Artesã Sthefany Carneiro

Por Samella Velez

As casas de taipa, tradicionais construções feitas com barro, água, galhos e palha, fazem parte da história e da identidade cultural do Nordeste. Utilizada no Brasil desde o período colonial, a técnica teve origem africana, passou pela Europa e se espalhou pelo território brasileiro, sendo empregada tanto em antigas casas de engenho quanto em moradias populares. Com o avanço dos modelos construtivos modernos, essas edificações se tornaram cada vez mais raras, especialmente nos centros urbanos.

Miniatura de uma casa de taipa
Miniatura de uma casa de taipa

É nesse contexto que se destaca o trabalho da artesã Sthefany Carneiro, que há pouco mais de um ano transformou em profissão a produção de miniaturas de casas de taipa. Inspirada na arquitetura vernacular nordestina, ela recria, em pequena escala, elementos que marcaram gerações e que hoje correm risco de desaparecer.

Tradicionalmente, as casas de taipa eram erguidas em mutirões, em um processo coletivo que envolvia etapas como o envarado, o barreiro e o tapamento. O trabalho era acompanhado por cantigas, brincadeiras e partilha de alimentos, reforçando laços comunitários e valores culturais.

Sthefany Carneiro produzindo em seu ateliê
Sthefany Carneiro produzindo em seu ateliê

As miniaturas produzidas por Sthefany já chegaram a outros países, mas, segundo a artesã, o principal objetivo do trabalho é preservar a memória e valorizar uma técnica construtiva, muitas vezes associada apenas à precariedade.

“A taipa carrega conhecimento, história e identidade”, resume.

Além das peças artesanais, há também um vídeo que mostra o as miniaturas e o olhar da artesã sobre a importância das casas de taipa, disponível nesta matéria.