Durante o século XIX, em Maceió, fé e morte dividiam o mesmo espaço. Era comum que pessoas fossem sepultadas dentro das igrejas, muitas vezes sob o altar, em uma prática que hoje parece impensável, mas que fazia parte das tradições religiosas e sociais da época.
Os enterros nas igrejas seguiam regras rígidas baseadas em dinheiro, cor da pele e posição social. Quem podia pagar era enterrado nos locais mais próximos do altar. Quem não tinha recursos ficava em áreas menos valorizadas ou do lado de fora. Negros escravizados, mesmo batizados e cristãos, raramente tinham direito ao chão das igrejas que ajudaram a construir.
Neste episódio do Contando Alagoas, você conhece a história dos sepultamentos religiosos em Maceió, os conflitos entre fé e ciência, o impacto das epidemias, a atuação dos médicos higienistas e as mudanças que levaram ao fim dos enterros dentro dos templos e ao surgimento dos cemitérios da cidade.
Uma narrativa que revela medo, poder, exclusão social e memória, e ajuda a compreender como a relação entre vida, morte e religião moldou a história urbana e social de Alagoas.